sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Na Praia da Feiticeira

Foto da Web " Praia da Feiticeira- Brasil"
Hoje fiz uma grande caminhada pela praia... a manhã parecia envergonhada, as ondas espreguiçavam-se no areal e as brisas do mar pulavam endiabradas fazendo esvoaçar o meu cabelo. Uma mais atrevida acariciou-me o rosto, fazendo-me lembrar os beijos do meu amor...
Perguntei-lhes se tinham notícias do meu príncipe.... mas estavam em tão estouvadas brincadeiras com o rei-sol que nem ouviram a pergunta.
Então insisti e gritei:
- Brisas, brisas do mar, ouçam-me, têm notícias do meu amor?
Mas, mais uma vez, não me responderam. Amuei. Parei de caminhar e sentei-me numa pedra. Ali fiquei a contemplar aquele cenário de afectos... as ondas abraçavam o areal. as brisas do mar beijavam intensamente os raios de sol.
Estava triste! Precisava também de um grande abraço....
O meu príncipe chama-me a feiticeira do amor e do carinho, e como é possível estar aqui sozinha, sem os seus abraços e sem os seus beijos? - pensei.
Foi então que a Brisa Mágica me sussurrou ao ouvido e disse:
- Não fiques triste. O teu doce príncipe também um dia, vai estar aqui contigo para te entregar todos os beijos e carícias que ele tem guardados dentro de uma caixinha em forma de coração.
- Que bom! Exclamei, efusivamente. Já agora, Brisa Mágica, se estiveres com ele. diz-lhe, diz-lhe que eu sonho todas as noites com as carícias que ele em tempos idos me deu. Sussurra-lhe ao ouvido que também tenho uma caixinha coração cheia de ternura para lhe devolver. E que o avô Destino me pediu para eu não ir embora porque gostava de um dia nos ver juntos...
A Brisa Mágica, sorriu e abraçou-me ... partiu com um brilho nos olhos e com a promessa de cumprir a sua missão.
Retomei a minha caminhada.... e fiquei à espera..... de notícias do meu doce príncipe.... e de um dia ficarmos lado a lado....
Texto de Moura Encantada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

NA PONTA DA SOLIDÃO

Foto : Na Ponta da Solidão de Isabel Nobre



Sagres

para cá de onde dorme o sol
eu fico todas as tardes
a ver se ele se vai embora
e me deixa confiado
às memórias de outrora
em que levantamos tendas
sopramos canções de guerra
semeámos neste terra
novos sonhos que ainda agora
parecem sonhar de novo

sagres
tu sabes
como se arma um coração
agarramos uma vida
desatamos a paixão
oh sagres
tu sabes
na ponta da solidão

no palco de uma fogueira
entre risos de medronhos
fomos as noites dos lobos
escondidos nas piteiras
e os beijos não foram poucos
a noite nao tinha céu
o dia nao tinha chao
o tempo não tinha cara
e o mar tomavanos conta
dos cinco dedos da mão

sagres
tu sabes
como se arma um coração
agarramos uma vida
desatamos a paixão
oh sagres
tu sabes
na ponta da solidão
LUÍS REPRESAS

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SALIR DO TEMPO



SALIR DO TEMPO foi uma recriação do ambiente vivido na Idade Média.

Integrada nas comemorações dos 760 anos da Tomada do Algarve aos Mouros, vários foram os factos históricos teatralizados neste evento. Desde a chegada de D. Payo Peres Correia à vila, ao domínio cristão, e à aparição da Moura Encantada, foram recriações que despontaram pelas ruelas de Salir.


A Mouraria, com camelos, tendas árabes, artesanato, os mercadores da época com os produtos tradicionais, a animação da corte com uma trupe de bonecreiros que representou uma alegoria à criação do mundo e a música medieval, deram um colorido diferente a Salir.


A gastronomia foi também inspirada nos sabores do século XIII e nos hábitos de então, os copos eram em barro e as tábuas de madeira serviram de pratos.

Salir no Tempo foi um evento bem conseguido!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

MOURAS...ENCANTADAS...

O termo "moura encantada" remonta ao tempo da conquista da Peninsula Ibérica aos mouros. A crença em princesas encantadas ou tesouros escondidos perde-se no tempo, despertando uma natural fascinação a quem gosta deste tipo de literatura. Segundo antigos relatos populares, as mouras encantadas são as almas de donzelas que foram deixadas a guardar os tesouros que os mouros esconderam antes de partir. As lendas descrevem as mouras encantadas como jovens donzelas de grande beleza ou encantadoras princesas. Aparecem frequentemente cantando e penteando os seus longos cabelos, louros como o ouro ou negros como a noite, com um pente de ouro e prometem tesouros a quem as libertar do encanto. Em Portugal, existem várias aldeias e vilas que têm a sua moura encantada e são tantas as lendas que por vezes é difícil de escolher a mais bela. No Algarve, na Vila de Salir também existiu uma moura. A vila de Salir, deve o seu nome à filha do alcaide de Castalar, Aben-Fabilla, que fugiu quando viu o seu castelo ameaçado pelo exército de D. Afonso III. Antes de fugir, o alcaide enterrou todo o seu ouro, pensando vir mais tarde resgatá-lo. Quando os cristãos tomaram o castelo encontraram-no vazio, à excepção da linda filha do alcaide que rezava com fervor e que tinha preferido ficar no castelo e morrer a "salir". De um monte vizinho, Aben-Fabilla avistou a filha cativa dos cristãos e com a mão direita traçou no espaço o signo de Saimão, enquanto proferia umas palavras misteriosas. Nesse momento, o cavaleiro D. Gonçalo Peres que falava com a moura viu-a transformar-se numa estátua de pedra. A notícia da moura encantada espalhou-se pelo castelo e um dia a estátua desapareceu. Em memória deste estranho fenómeno ficou aquela terra conhecida por Salir, em homenagem pela coragem de uma jovem moura. Ainda hoje no Algarve se diz que em certas noites a moura encantada aparece no castelo de Salir. (in Lendas de Portugal Adaptado)